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Vimos que, por incluir todos nós em Cristo, Deus realizou a redenção. Essa identificação com Cristo é uma obra puramente de Deus. A questão em pauta é: Como Cristo pode ser  trabalhado em mim? Em outras palavras, como Ele pode relacionar-se a mim pessoalmente e subjetivamente?
Ter Cristo trabalhado em nós e ter um relacionamento de vida entre Ele e nós é a essência da vida cristã. No Evangelho de João, o próprio Cristo repetiu várias vezes a frase: "Vós em mim e eu em vós”.Esse estar mutuamente um dentro de outro é a realidade e a essência da união. Somente nessa união é que Deus pode cumprir Seu propósito para nós.

A União Total
Deus já nos incluiu em Cristo. Agora temos de ver como Cristo pode ser trabalhado em nós. Somente quando Cristo está em nós é que nossa união pode ser real e completa, e somente então é que tudo o que Ele tem poderá ser trabalhado em nós. Esse relacionamento com Cristo é união em seu sentido máximo e total.
Um dia, eu observava um ferreiro trabalhar. Ao colocar um grande pedaço de ferro no fogo, ele avivou as chamas e passou a martelar o metal incandescente. Um aprendiz que estava próximo a ele, tentava conseguir algum fogo. 11-enrolou um pedaço de papel e, em vez de colocá-lo no fogo, tocou-o na ponta do ferro em brasa. Instantaneamente o papel  incendiou-se. Fiquei muito surpreso ao ver o fogo vindo do ferro. Aquele pedaço de ferro era agora diferente de todos os demais pedaços de ferro. Você pode dizer que era ferro; mas também pode considerá-lo como uma bola de fogo. O fogo estava no interior do ferro e o ferro estava no fogo. Ele tinha a natureza de ferro e parecia fogo. Quando você põe um pedaço de papel em contato com ele, o papel queima.

A Obra Adicional de Deus
Deus deseja que nossa união com Cristo seja tão íntima como a do ferro com o fogo. Deus perdoou nossos pecados e terminou nosso velho homem em Cristo. Mas Ele não parou por aí. Ele quer que sejamos totalmente um com Cristo, assim como o ferro o era com o fogo. Cada molécula de ferro estava mesclada com o fogo e cada característica do fogo estava manifestada no ferro. Deus deseja trabalhar Cristo em nós a tal nível.
Ainda temos de olhar para o lado da obra de Deus. Por ora, ainda não diremos o que temos de fazer da nossa parte. Queremos ver como Deus fez de nós e Cristo uma só peça. O que vimos até aqui foi a obra da redenção de Deus. Agora veremos Sua obra de união. Para isso, Deus tem de dar um passo muito real em Cristo. Esse passo é o que vamos explicar neste capítulo.

O Jesus Limitado
Todos sabemos que Jesus de Nazaré é o Deus encarna­do. Em outras palavras, Ele é a divindade revestida da humanidade. Se Deus não se tivesse revestido da carne, Ele jamais poderia ter realizado a redenção. Por essa razão, Ele se encamou. Mas no momento em que se revestiu da carne, Ele foi restringido de duas maneiras. Ele foi limitado primeira­mente pelo tempo e também pelo espaço. Se Ele fosse simplesmente Deus, não estaria restringido aos limites de tempo e espaço. Mas no momento em que se revestiu de humanidade, Ele foi aprisionado por esses dois fatores. Ele tomou-se como nós.
De que maneira a carne é limitada pelo tempo e pelo espaço? Se um homem está em Tientsin, ele não pode estar no mesmo tempo em Pequim. Se ele está na China, não pode estar também na Inglaterra. Desde que tenha um corpo, você está confinado pela distância. Você somente pode estar em um lugar em determinado momento. Nós, seres humanos, somos limitados pelo corpo.
Além disso, somos também limitados pelo tempo. Você não pode existir em dois momentos diferentes simultanea­mente. Somente posso conhecê-lo pelo que é. Não consigo ver o que será amanhã ou no ano que vem. Muitas vezes estou conversando com alguém e momentos depois já não tenho acesso a ele. Aquela pessoa com quem eu conversava era limitada; ela somente podia estar diante de mim, em determi­nados momentos, mas em outros, não. Tal é o cativeiro que o tempo impõe à nossa carne. Podemos reunir-nos, mas não para sempre. O tempo impõe um término a todo relaciona­mento humano.
Jesus de Nazaré, o Cristo que se revestiu da carne humana, foi também confinado por essas duas condições universais. Tudo o que Deus poderia fazer, então, era consi­derar-nos unidos a Cristo; ainda não havia maneira de estar­mos verdadeiramente Nele, tampouco Ele poderia estar em nós. Quer estejamos em Cristo ou Cristo em nós, há a necessidade de Ele ser algo mais que simplesmente um corpo. Ele tem de vir de outra forma, antes que possa ser totalmente um conosco.

Não Mais Segundo a Carne
A Segunda Epístola aos Coríntios 5:16 diz: "Assim que, nós, daqui por diante, a ninguém conhecemos segundo a carne; e, se antes conhecemos a Cristo segundo a carne, já agora não o conhecemos deste modo”.O apóstolo revela-nos aqui uma das doutrinas mais elementares no cristianismo. O Cristo que pregamos não é mais um Cristo na carne. Ele é muito diferente daquele que os doze discípulos conheceram na Galiléia. Naquela época, Cristo andava com eles, comia com eles e até mesmo viajava com eles. Eles viram Sua face e tocaram em Suas mãos; ouviram Sua voz e contemplaram Seus milagres. Tudo o que sabiam a Seu respeito era segundo a carne. Mas eis aqui a passagem surpreendente que nos diz que já não O conhecemos segundo a carne. O relacionamento carnal já não é válido.
Qual a necessidade de tal versículo? Há uma razão muito forte para isso. Se Cristo ainda está em Sua carne, Ele ainda está restringido pelo tempo e pelo espaço. Somente poderíamos contatá-Lo por algum tempo e Ele estaria dispo­nível num único lugar. Todo aquele que não estivesse no mesmo tempo e no mesmo lugar que Ele estava, não poderia contatá-lo.
Por favor, dê total atenção a este ponto máximo de nossa fé. Se o Cristo que pregamos hoje fosse ainda aquele Cristo em carne, imagine o que aconteceria! Se neste momen­to Ele está em Jerusalém, Ele não estaria disponível a nós aqui em Tientsin. E, se Ele vem para Tientsin, os que estão em Jerusalém não O terão. Então Ele se tornaria prisioneiro do espaço, como nós.
E se Ele quiser ficar permanentemente em Jerusalém? Como poderíamos vê-Lo? Talvez, de vez em quando, tería­mos de pagar para viajar até Jerusalém a fim de visitá-Lo. Teríamos de fazer essa peregrinação pelo menos uma vez por ano para contemplar o Deus encamado. Em Jerusalém você poderia ficar bem próximo a Ele. Mas no momento em que sair de Jerusalém, você estará novamente separado Dele. Portanto, se Cristo ainda estivesse na carne, nossa fé seria uma religião materialista. O cristianismo deveria ter, então, um centro na terra, do qual controlaria todos os cristãos.
Quando os doze discípulos estavam com Cristo, Ele ainda tinha Sua carne Consigo. Quando falava com três deles, os outros nove perdiam a oportunidade. Quando Ele cami­nhava com onze, um era deixado para trás. Até mesmo quando todos ceavam juntos, uns estavam mais próximos Dele do que outros. Nem todos podiam reclinara cabeça sobra Ele, como João o fez. Ele estava limitado pelo tempo e pelo espaço.

Cristo Precisava Despojar-se de Sua Carne
Se me perguntasse se gostaria de ver Cristo andando hoje, em carne, da mesma maneira que os doze discípulos O conheci-am, eu lhe responderia um forte não. Isso seria abso­lutamente inútil para mim! Se Jesus de Nazaré estivesse aqui hoje, Ele estaria isolado. Ele não poderia entrar em mim. Tampouco eu poderia entrar Nele. Ele ainda estaria em Sua carne. Sua carne não poderia ser parte da minha nem a minha poderia ser parte da Sua. Há, portanto, uma necessidade crucial! Cristo precisava despojar-se de Sua carne.

Por meio de Morte
Como Cristo despojou-se de Sua carne? Foi por meio da morte! Lembre-se, por favor, que a morte de Cristo não foi meramente pelos nossos pecados e pelo nosso velho homem. Foi também um despojamento de Sua própria carne. Portan­to, Ele já não está mais na carne. Por meio da morte, Ele despojou-se da carne e agora está no Espírito. Não estou afirmando que o Cristo ressurreto não tem um corpo. Estou dizendo que Cristo tomou-se o Espírito na ressurreição. Hoje, Ele ainda possui um espírito, uma alma e um corpo, mas agora tudo é espiritual.

No Espírito
Qual é a diferença entre estar na carne e estar no espírito? Estar na carne é como vestir uma roupa. Quando Cristo estava na terra, Ele tinha sobre Si a veste de carne. Em Sua morte, Ele tirou essa veste e, em ressurreição, tomou um novo corpo com uma veste diferente, que é o Espírito. O Cristo atual é Aquele que foi revestido do Espírito, exatamente no mesmo sentido em que foi revestido da carne humana.
Portanto, nosso conhecimento de Cristo pode ser de dois tipos. Ou conhecemos Cristo na carne ou conhecemos Cristo no Espírito. Alguns valorizam o Cristo na carne. Mas mais precioso que isso é o Cristo no Espírito. Esse Cristo no Espírito pode agora vir para dentro de nós e permitir que estejamos Nele. Agora, Ele e nós podemos ter uma união indissolúvel.

Em Nós
A Bíblia mostra-nos repetidas vezes que Deus é triúno. Em determinado momento, Deus revestiu-se da carne para tomar-se o Cristo. Agora, Ele revestiu-se do Espírito. Deus, Cristo e o Espírito Santo são todos uma única entidade. O Cristo que se revestira da carne era limitado em muitos aspectos. O Cristo que está revestido do Espírito é agora onipresente. Ele pode morar até mesmo em você. Todo o que desejá-Lo pode obtê-Lo, e todo o que Nele crer pode recebe-­Lo. Ele não está mais confinado pelo tempo e pelo espaço. Podemos ser um com Ele onde quer que estejamos e sempre que desejarmos.
Se Cristo não está vivendo no Espírito Santo, nossa fé é morta e o cristianismo é uma religião morta. Se Cristo não está no Espírito, o que cremos são meros ensinamentos e teorias. Na verdade nada possuiríamos porque nada do Cristo em carne pode vir para dentro de nós.
A Mão que Escreve
Escrevo bastante, embora minha caligrafia não seja muito boa. A razão está, provavelmente, na minha falha de aprender corretamente essa arte, nos meus primeiros anos de escola. Quando jovem, meu pai contratou um velho professor particular para ensinar-me a escrever. Todo o tempo em que ele estava comigo eu sempre estava contra ele; nunca me sentava corretamente para aprender. Como resultado, ele ficava muito irado comigo. Uma vez ele me disse: "Veja seus irmãos e irmãs; todos eles estão escrevendo muito bem Você é o único que não o faz. Deixe-me segurar sua mão e escrever com você”.Sua enorme mão agarrava a minha e começava a mover-se pelas páginas. Esforçava-me por ser obstinado e não cooperar. Quando ele parava, eu fazia com que a mão escorregasse de propósito, e quando ele tentava fazer uma linha reta, minha mão jogava para a direita e para a esquerda. Ele nunca conseguiu obter de mim uma boa caligrafia.
Um dia, ele fez uma declaração comovente da qual jamais me esquecerei. Ele disse: "Gostaria de poder entrar em você para poder escrever por você. Não vejo outra maneira de você escrever bem”.
A maneira de Deus salvar-nos é entrar em nós. Essa é a solução final e eficaz. Não se trata de mero ensinamento exterior. Não é Ele segurando nossa mão para levar-nos para lá e para cá. Não é um conjunto de permissões e proibições. Quando despojou-se de Sua carne, Ele entrou no Espírito e agora pode entrar em nós para ser nossa vida e ser expresso através de nós. Aquilo que o velho professor particular nunca conseguiu fazer está agora sendo realizado por Deus no Espírito.

O Consolador
Como Cristo está no Espírito Santo? Temos de ver detalhadamente uma passagem no Evangelho de João. João 14:16 diz: "E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, a fim de que esteja para sempre convosco".
    Consolador, aqui, entende-se como sendo o Espírito Santo. A palavra original é "parakletos". Ela é formada por duas raízes. A primeira parte "para" significa ao lado de e a segunda parte "kletos" transmite a idéia de ajuda e socorro. Portanto, essa palavra significa uma ajuda a seu lado. A versão de João Ferreira de Almeida traduziu essa palavra para "consolados", dando o sentimento de alguém que está perto de você, ajudando-o, cuidando de você e sustentando-o. Aqui, o Senhor está orando ao Pai para que envie um Consolador a fim de ajudar e sustentar você.



O Espírito da Realidade
O versículo 17 diz: "O Espírito da verdade, que o mundo não pode receber, porque não no vê, nem o conhece; vós o conheceis, porque ele habita convosco e estará em vós”.Esse Consolador é o Espírito da verdade. Na minha opinião, "verdade" seria melhor traduzida para "realidade", pois toda realidade espiritual está no Espírito Santo. Quando temos o Espírito Santo, temos a realidade. Portanto, o Consolador é também o Espírito da realidade.
Esse Espírito da realidade somente está relacionado aos crentes. Ele nada tem a ver com o mundo. Por que o mundo não O recebe? Primeiramente porque não O vêem. Quando uma pessoa no mundo não vê alguma coisa, ela naturalmente não a recebe. A segunda razão é que eles não O conhecem. É também difícil de aceitar-se algo desconhecido. O Senhor, entretanto, diz: "Vós o conheceis”.Os cristãos conhecem o Espírito Santo porque "Ele habita convosco".
Até mesmo hoje, o Espírito Santo está constantemente com os que crêem. Isso é um fato. Mas note a frase que vem a seguir: "E estará em vós”.O "estará" indica o futuro. O que o Senhor tentou dizer foi: "Este Espírito Santo está hoje com vocês. Mas virá um dia quando Ele entrará em vocês”.Continuemos a ler, para que possamos ver mais a respeito.
O versículo 18 diz: "Não vos deixarei órfãos, voltarei para vós outros”.Que é um órfão? É uma criança deixada sem o cuidado de um pai. Um filho cujo pai está com ele tem todo o seu viver, alimentação, livros etc., fornecidos pelo pai. O pai prepara tudo e faz tudo por ele. Uma criança sem pai, por outro lado, deve preparar tudo por si mesma. O Senhor está dizendo aqui que Ele não nos deixará órfãos para administrarmos sozinhos todos os assuntos espirituais. Em vez disso, Ele voltará para ser nosso Pai, para cuidar de nós.

Dois Pronomes
Preste atenção, por favor, aos pronomes nos versículos 17 e 18: O versículo 17 diz que "ele" estará em vós, enquanto o versículo 18 diz que ["eu"] voltarei para vós outros. Qual é o relacionamento entre o "ele" no versículo 17 e o "eu" no 18? Eles se referem a duas pessoas ou a uma somente? É melhor lermos novamente esses dois versículos, para ver quem é o "ele" e o "eu" nesses versículos.
Se lhe dissesse algo assim: "Um homem tomou um táxi nas imediações da Prefeitura. Pagou cinco dólares para que o motorista o trouxesse até aqui. Assim que cheguei, vim rapidamente, vi todos vocês sentados aqui e comecei a pregar..." Por favor, diga-me o seguinte: Qual é o relaciona­mento entre o homem e eu? É claro que aquele homem sou eu. É simplesmente uma maneira diferente de mencionar a mes­ma pessoa. Da mesma maneira, o "eu" no versículo 18 é o mesmo que "ele" no versículo 17. O significado dessa passa­gem é tão claro: O Senhor pedirá ao Pai, e o Pai enviará um Consolador para o meio de vós. Esse Consolador, que é o Espírito Santo, é simplesmente o Cristo que irá habitar no interior de vocês. É dessa maneira que os discípulos não se tornariam órfãos.

Eu Nele
Essa é uma porção preciosíssima da Bíblia. Quando Cristo estava na terra, o Espírito Santo, que é o Consolador, vivia dentro Dele. Depois da Sua morte, ressurreição e ascensão, Ele vive no Espírito. Quando Cristo estava com os discípulos na terra, o Espírito Santo já estava com os discípulos, pois o Espírito estava em Cristo. Mas que ocorreu depois daqueles dias? Por Sua morte e ressurreição, Cristo está agora no Espírito. Portanto, Ele estava vindo aos Seus discípulos pelo Espírito, através do Espírito e no Espírito. Pode-se dizer que o
Espírito Santo estava, então, nos discípulos. Mas, na verdade, era Cristo nos discípulos. É por isso que na primeira parte dessa passagem diz: "[Ele] estará em vós", mas, na parte final, muda para "voltarei para vós". O "eu" está no "ele”.

A Mão na Luva
Conversava com um amigo, em Kaifem, sobre o fato de Cristo estar no Espírito Santo, quando uma senhora estrangei­ra aproximou-se de nós. Ela cumprimentou-me e ia tirar suas luvas para dar-me um aperto de mão. Eu lhe disse prontamen­te: "Não é necessário tirar suas luvas”.Segurei a mão que estava com luva e voltei-me para o meu amigo, perguntando-lhe: "Eu estou segurando a luva ou a mão? Você pode dizer que estou segurando a luva, mas, na verdade, estou seguran­do a mão. O relacionamento entre Cristo e o Espírito Santo é exatamente o mesmo. Quando exteriormente você 'segura'o Espírito, interiormente, você, na verdade, está possuindo Cristo. Receber o Espírito Santo é o mesmo que receber Cristo”.Meu amigo acenou com a cabeça e disse: "Agora eu entendo!"
Isso é semelhante ao que dissemos anteriormente sobre a divindade de Jesus de Nazaré. Você pode dizer que Ele é Deus e também pode dizer que Ele é homem. Quando toca em Sua divindade, você não pode deixar de tocar também em Sua humanidade. E quando Sua humanidade é manifestada, Sua divindade surge simultaneamente. Da mesma maneira, Cristo e o Espírito são hoje uma entidade inseparável. Você pode usar os dois termos alternadamente como sinônimos. O Espírito está Nele e Ele está no Espírito.

Naquele Dia
Prossigamos em nossa leitura. Os versículos 19 e 20 dizem: "Ainda por um pouco e o mundo não me verá mais; vós, porém, me vereis; porque eu vivo, vós também vivereis. Naquele dia vós conhecereis que estou em meu Pai e vós em mim e eu em vós”.
0 Senhor nos fala aqui do propósito que está por traz de Seu despojar da carne e entrar no Espírito. O objetivo disso é que nós, os que cremos, possamos conhecer que "eu estou um meu Pai, e vós em mim e eu em vós", para que se possa realizar uma união plena e perfeita. Esse fato ocorreria somente "naquele dia", o dia em que Cristo, no Espírito, veio para dentro de nós. Somente naquele dia é que conheceríamos a unidade de ter Cristo no Pai, nós em Cristo e Cristo em nós.
Além do mais, essa união transmite a nós tudo o que Deus fez em Cristo e tudo o que Deus é por meio de Cristo. Tudo o que é Dele torna-se nosso. Deus e o homem, o homem e Deus tornam-se absolutamente mesclados.

Um Espírito com Cristo
Cristo morreu e ressuscitou por nós. Mas se Ele não tivesse vindo a nós no Espírito Santo, a salvação ainda não teria sido consumada. Cristo poderia ainda não ter se unido a nós. Ele seria como o meu antigo professor particular, desejando apenas que de alguma maneira pudesse entrar em mim.
Mas agora Cristo tomou uma forma espiritual. Ele pode facilmente entrar em nós. Pelo fato de Ele estar no Espírito, temos a possibilidade de recebê-lo. A Bíblia também diz que "todo aquele que se une ao Senhor é um espírito com Ele”.Cristo está no Espírito. Todos nós também temos um espírito. Quando nosso espírito recebe esse Cristo, que está no Espírito, os dois tornam-se um espírito. Essa é a preciosidade da nossa fé. Sem isso, nossa crença é uma religião comum sem qualquer relevância para nossa vida. Sem isso não pode haver uma salvação interior.

Um Cristo Mais Próximo
Leia novamente o Evangelho de João 16:7: “Mas eu vos Digo a verdade”:
 Convém-vos que eu vá, porque se eu não for, o Consolador não virá para vós outros; se, porém, eu for, eu vo-lo enviarei." O Senhor aqui está contando-nos a verdade sobre Sua morte. Enquanto Ele estivesse em Sua carne, o Consolados não poderia vir. Quando havia o Cristo na carne, não podia haver o Cristo no Espírito. É por isso que Sua morte nos é proveitosa.
Quando estava em Xangai, um amigo me disse: "É terrível que Cristo tenha ascendido aos céus. Se Ele ainda estivesse na terra hoje, eu, com certeza, O buscaria, não importando o quão longe Ele pudesse estar de mim. Como gostaria de poder ser como os discípulos do Seu tempo, que tiveram o privilégio de caminhar, viver e comer junto com o Mestre". Ao ouvir isso, olhei intencionalmente nos seus olhos e disse: "Eu jamais gostaria de ser como Pedro e João e os demais!" Ele pergun­tou-me: "Que quer dizer com isso?" "Você sabe", perguntei, "que o Cristo que conheço está muito mais perto de mim do que Aquele que Pedro conheceu fisicamente? Não eu somen­te, mas todo aquele que recebeu Cristo deveria ser capaz de dizer que nosso Cristo não é meramente um Cristo na carne a quem Pedro tocou; nosso Cristo é um Cristo no Espírito. O Cristo deles era alguém que podia estar separado deles. Ele poderia estar com você um dia e ir-se no outro. Nosso Cristo, entretanto, permanece em nós para sempre. Onde quer que estejamos, ali está Ele também. Não tenho medo nem mesmo de ir para o inferno, pois se eu for, Deus em mim irá comigo”.

Um Cristo no Espírito
Quando foi que Pedro começou a conhecer Cristo de maneira clara? Não foi nos anos em que seguiu o Senhor para lá e para cá. Aquele que eles conheciam, então, era somente o Jesus de Nazaré. Somente após a ressurreição e no Espírito é que eles começaram a conhecer Cristo da maneira como O conhecemos hoje. Se Cristo não estiver no Espírito Santo e se Ele não entrar em nós, jamais poderemos conhecê-Lo de maneira real.
Alguns anos atrás passou pelo Egito. Havia muitos missi­onários no nosso grupo que me persuadiram a fazer uma viagem pela Palestina e ficar ali por dois meses. Eles disseram: "Visite Jerusalém, Belém, o monte Gólgota. Veja todos os lugares por onde Jesus passou. Isso irá fortalecer sua fé”.
Naquela ocasião eu tinha tanto tempo quanto dinheiro necessário para viajar. Mas lhes disse: "Não tenho desejo de ir lá. Isso não fortalecerá minha fé nem me ajudará a conhecer mais a Cristo. O Cristo em quem creio jamais será afetado por Jerusalém. Mesmo que Jerusalém, a Galiléia e Nazaré desapa­reçam por completo, meu conhecimento Dele ainda perma­necerá. Eu sou um com Ele e minha experiência Dele jamais poderá ser afetada por um fator exterior. Não tenho absoluta­mente qualquer interesse na assim chamada manjedoura, nas tábuas e pregos da cruz e em outras relíquias. Essas coisas podem, quando muito, ajudar-me a conhecer o Cristo na carne. Mas o que mais aprecio é o Cristo no Espírito. Ele é mais real e meu conhecimento Dele é mais sólido que a sua presença física ou a minha”.

Um Cristo que Vive em Nós
Uma passagem que lemos anteriormente diz que já não conhecemos Cristo segundo a carne. Se o que cremos agora é meramente uma religião exterior, então precisaremos de uma Terra Santa, de uma Meca ou de uma Roma para ser o nosso centro, para que possamos ir a fim de adorar e servir. Mas cremos é num Cristo que está no nosso interior. Sabemos que Ele é tanto o Deus no céu como o Senhor em nós.
Ele não somente é o próprio Criador, como também é o Cristo que se revestiu da carne. E agora, Ele está em nós como o Espírito Santo. O Cristo na carne terminou! Agora o Cristo no Espírito vive para sempre em nós.

Na Carne ou no Espírito
Caro amigo, deixe-me fazer-lhe uma pergunta: O Cristo que você conhece está na carne? ou no Espírito? Perguntando de outra maneira: O seu Cristo é Aquele dos Evangelhos ou O das Epístolas? Não estou dizendo que você não deve crer no Cristo dos quatro Evangelhos. É correto crer Nele. Entretanto, isso é somente a primeira metade. Há uma segunda metade que é conhecer e experienciar Cristo no Espírito.

Vimos os três aspectos do que Deus é. Primeiramente, Ele é o Deus nos céus; segundo, Ele é o Deus que veio à terra para tornar-se homem; e, terceiro, Ele é o Deus no Espírito Santo. Esses três aspectos constituem os três passos da nossa experi­ência com Deus.

Redação Catedral Da Paz

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