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 A VIRTUDE QUE PROMOVE A UNIDADE ( Filipenses  2.3-5)
A humildade é a virtude que promove a unidade. A humildade é o remédio para os males que atacam a unidade da igreja. A palavra grega tapeinophrosyne é um termo cunhado pelo cristianismo. Ralph Martin diz que “humildade” era uma expressão de opróbrio no pensamento clássico grego, tendo conotações de “servilismo”, como nas atitudes de um homem vil, ou de um escravo. Lightfoot diz que quase sempre entre os escritores gregos “humildade” tem um significado negativo. Entre o povo de Deus, a humildade é um imperativo, pois “Deus escarnece dos escarnecedores, mas dá graça aos humildes” (Pv 3.34). Tiago diz que Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes (Tg 4.6) e o apóstolo Pedro ordena: “Humilhai-vos, portanto, sob a poderosa mão de Deus, para que ele, em tempo oportuno, vos exalte” (1Pe 5.5). A humildade deve ser a marca do cristão, pois seu senhor e mestre foi “manso e humilde de coração” (Mt 11.29). Os discípulos de Cristo demoraram entender essa lição e muitas vezes discutiram quem devia ocupar a primazia entre eles. Nessas ocasiões Jesus lhes dizia que maior é o que serve e que ele mesmo veio não para ser servido, mas para servir (Mc 10.45).
1. O que é humildade? (2.3)
A humildade provém do conhecimento de Deus e de um correto conhecimento de si mesmo. Enquanto a ambição e o preconceito arruínam a unidade da igreja, a genuína humildade a edifica. Ser humilde envolve ter uma correta perspectiva sobre nós mesmos em relação a Deus (Rm 12.3), que por sua vez nos coloca numa correta perspectiva em relação ao próximo. O apóstolo Paulo deu o seu próprio testemunho em suas cartas. Durante a sua terceira viagem missionária se qualificou de “o menor dos apóstolos” (1Co 15.9), durante sua primeira prisão em Roma se intitulou de “o menor dos menores de todos os santos” (Ef 3.8), e um pouco mais tarde, durante o período que se estendeu da primeira à segunda prisão em Roma, levou essas descrições humildes de sua pessoa ao clímax, designando-se de “o principal dos pecadores” (1Tm 1.15). Jamais o orgulho prevalece no coração de alguém que conhece a Deus e a si mesmo. F. F. Bruce, citando James Montgomery lança luz sobre o que é humildade:
O pássaro que alça as asas nos céus,
Constrói seu ninho lá em baixo, na terra.
E o que trina maviosamente,
Canta de noite quando tudo repousa.
Na cotovia e no rouxinol vemos
Quanta honra cabe à humildade.
O santo que usa a coroa mais brilhante do céu,
Curva-se em humilde adoração.
O peso da glória faz que se prostre,
Quanto mais se prostra mais sua alma ascende;
O escabelo da humildade deve estar
Bem perto do trono de Deus.
2. Como a humildade se manifesta? (2.3,4)
O apóstolo Paulo menciona duas manifestações da humildade.
Em primeiro lugar, a humildade olha para o outro com honra (2.3). No capítulo primeiro, Paulo colocou Cristo em primeiro lugar (1.21). Agora, coloca o outro acima do eu (2.3). Uma pessoa humilde não tem sede de fama, projeção e aplausos. Ela não se embriaga com o poder. Ela não busca os holofotes do palco nem corre atrás das luzes da ribalta. Uma pessoa humilde não canta “quão grande és tu” diante do espelho. Werner de Boor diz que uma pessoa humilde tem prazer de realizar o serviço pouco aparente, o trabalho que permanece nos bastidores, a obra insignificante, deixando com alegria aos outros aquilo que parece mais importante e obtém maior reconhecimento.
Em segundo lugar, a humildade busca o interesse do outro com solicitude (2.4). A igreja de Filipos era multirracial: Lídia era uma judia rica, a jovem liberta era uma escrava grega e o carcereiro era um oficial romano da classe média. Nessas condições não era fácil manter a unidade da igreja. Ter interesse em proteger os interesses alheios, porém, faz parte dos alicerces da ética cristã. No mundo cada um cuida primeiro de si, pensa somente em si e tem o olhar atento apenas para os próprios interesses. Os interesses dos outros estão fora de seu verdadeiro campo de visão. Por isso tampouco existe no mundo verdadeira comunhão, mas somente o medo recíproco e a ciumenta autodefesa contra o outro. Na irmandade da igreja de Jesus pode e deve ser diferente, diz Werner de Boor.
É importante ressaltar que Paulo não exige que eu negligencie as minhas coisas e somente me engaje em favor dos outros. Porém, Paulo espera que meu olhar de amor e preocupação também caia sobre as necessidades, dificuldades e aflições do irmão, e presume que ainda restem tempo, energia e capacidade em quantidade suficiente.
3. O supremo exemplo da humildade (2.5)
Neste capítulo dois, Paulo cita quatro exemplos de humildade, ou seja, colocar o “outro” na frente do “eu” (2.5; 2.17; 2.20; 2.30). Porém, o argumento decisivo de Paulo é o exemplo de Cristo (2.5). F. F. Bruce diz que o exemplo de Cristo é sempre o argumento supremo de Paulo na exortação ética, principalmente quando trata do interesse altruísta pelo bem-estar do próximo. Se o exemplo de Cristo deve ser seguido, é melhor, então, manter maior interesse pelos direitos dos outros e pelos nossos deveres, do que cuidar principalmente de nossos direitos e dos deveres dos outros.
O texto que registra a encarnação, esvaziamento, humilhação, obediência, morte e exaltação de Cristo não é uma peça doutrinária escrita por um teológico de gabinete que está traçando reluzentes verdades doutrinárias contra o nevoeiro denso das heresias, mas foram escritas por um homem que, com humildade e amor lutava pela verdadeira concórdia de seus irmãos. Essas frases, com todo o seu teor dogmático são parte dessa luta. A leitura correta deste magno texto cristológico não é apenas aquela que trata da humilhação e exaltação do Filho de Deus, mas a que abala nosso coração egoísta e vaidoso por meio da trajetória seguida por Jesus.

Redação Catedral Da Paz

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