» » Bases da Unidade



OS ALICERCES DA UNIDADE (FILIPENSES 2.1)
O apóstolo Paulo antes de exortar a igreja sobre a questão da unidade cristã dá a base doutrinária. Há quatro pilares que sustentam a unidade cristã. Esses pilares não são criados pela igreja, mas são dádivas de Deus à igreja. Robertson diz que há quatro fundamentos dados por Paulo para justificar seu apelo à unidade. Ele coloca esses fundamentos em forma cláusulas condicionais, mas ele assume em cada uma que a condição é verdadeira. Esses pilares já existem e eles precisam ser o alicerce da unidade.
J. A. Motyer destaca que podemos ver a obra da própria Trindade na construção da unidade da igreja. Os crentes estão em Cristo, experimentando a realidade do amor de Deus, pela ação do Espírito Santo. J. B. Lightfoot diz que o apóstolo Paulo apela aos filipenses por meio de sua mais profunda experiência como cristãos para preservarem a paz e a concórdia. Dos quatro fundamentos da unidade, o primeiro e o terceiro são objetivos (exortação em Cristo e comunhão do Espírito), os princípios externos do amor e harmonia; enquanto o segundo e o quarto (consolação de amor e entranhados afetos e misericórdias) são subjetivos, os sentimentos interiores que nos inspiram.
1. Exortação em Cristo (2.1)
A palavra grega paraklesis sugere que há uma obrigação colocada sobre os filipenses, oriunda diretamente de sua vida comum “em Cristo”, para trabalharem juntos, em harmonia. Paulo está convidando os filipenses a lembrar-se de seu status de comunidade amada por Cristo. Bruce Barton diz que todo crente tem recebido encorajamento, exortação e conforto de Cristo. Essa comum experiência deveria unir os crentes de Filipos. William Barclay alerta para o fato de que ninguém pode caminhar desunido com seu semelhante e ao mesmo tempo estar unido a Cristo. Ninguém pode viver a atmosfera de Cristo e viver ao mesmo tempo odiando a seus semelhantes.
2. Consolação de amor (2.1)
Robertson afirma que a palavra “consolação” aqui deveria ser traduzida como encorajamento e consolação, pois a idéia é terna persuasão do amor. Aqui é o amor de Cristo pela igreja que Paulo tem em vista. Ao conclamá-los para que vivam juntos em harmonia, Paulo apela para os mais altos motivos: o amor que o Senhor da Igreja nutre por seu povo deve impeli-los a viver dignamente. O amor nos leva a amar como Cristo nos amou (1Jo 3.16). O amor nos leva a suportar uns aos outros. O amor nos leva a perdoar uns aos outros. O inferno é a condição eterna dos que fizeram da relação com Deus e seus semelhantes algo impossível porque destruíram em suas vidas o amor.
William Barclay alerta para o fato de que não significa só amar aos que nos amam, aos que nos agradam ou aos que são dignos de ser amados. Significa uma boa vontade invencível para aqueles que nos odeiam. É o poder de amar aos que não nos agradam, é a capacidade semelhante à de Jesus Cristo de amar o que não é amável nem digno de amor.
3. Comunhão do Espírito (2.1)
A participação comum no Espírito, pela qual os crentes são batizados em um só corpo, deveria determinar a morte de toda desavença e espírito de partidarismo. F. F. Bruce diz que o Espírito trouxe os cristãos de Filipos à comunhão uns com os outros. Aquele que os uniu em Cristo, também os uniu uns aos outros. É o Espírito Santo que produz a nossa comunhão com Deus e a nossa comunhão com o próximo. É o Espírito que nos une a Deus e ao próximo de tal maneira que todo aquele que vive em desunião com seus semelhantes dá provas de não possuir o dom do Espírito. Bruce Barton afirma: “Porque só há um Espírito, há um só corpo (Ef 4.4); facções ou divisões não têm lugar no corpo de Cristo”.
O Espírito Santo é o princípio unificador na igreja local (1Co 12.4-11). Somente ele pode dar ordem ao caos e preservar a harmonia no corpo de Cristo. A não ser que o Espírito Santo reine, haverá na igreja confusão. Sem o Espírito Santo não há vida nem poder na igreja, diz Robertson. Onde reina o Espírito Santo, existe amor, porque o amor é fruto do Espírito.
4. Entranhados afetos e misericórdia (2.1)
A palavra grega splanchna “afetos” significa literalmente “as entranhas humanas”, consideradas como a sede da vida emocional (1.8). Enquanto no primeiro capítulo a palavra está se referindo ao amor de Paulo pelos filipenses, aqui ela se refere ao amor de Cristo por eles e através deles. Já a palavra grega oiktirmoi “misericórdias” é a palavra que descreve a emoção humana da piedade terna, ou simpatia. A irmandade em uma igreja não se limita a “sentimentos” nem se resume em atividades de ajuda e frias ações. Certamente nossas “entranhas” precisam ser movidas, e as aflições do irmão precisam despertar em nós uma viva compaixão.
Quando o Espírito Santo trabalha na vida do crente, o fruto do Espírito é produzido (Gl 5.22,23). Paulo destaca dois desses frutos que acentuam o verdadeiro cuidado de um para com o outro, o que pavimenta a unidade entre os crentes. “Afeto” refere-se à sensibilidade para com as necessidades e sentimentos dos outros, enquanto “compaixão” significa o sentimento de dor que alguém sente ao ver o outro sofrer e o desejo de aliviá-lo desse sofrimento. Tal preocupação fortalece a unidade entre os crentes. Toda desarmonia na igreja de Deus é falta dos entranhados afetos. É ausência de misericórdia.

Redação Catedral Da Paz

Rede Paz Brasil, Igreja Catedral Da Paz, Rio Verde-GO; Nas publicações podem conter Imagens e Textos das igrejas e seus oficiais e da Internet.
«
Next
Postagem mais recente
»
Previous
Postagem mais antiga

Deixe Seu Comentário

Leave a Reply

Deixe seu comentário.